segunda-feira, março 30, 2009


Aconteceu comigo

Estávamos começando a arrumar a casa, minha mãe estava arrumando o jardim (sua paixão) e eu limpando a sala. Só ouvi e vi de relance ela caindo. Corri desesperadamente para ver o que tinha realmente acontecido, ela havia batido a cabeça na pilastra do portão e estava caída no chão. Ela me pediu água, peguei, e aparentemente lúcida ela falava comigo. Só quando a ajudei a se levantar que constatei: ela havia perdido a memória.

Ela sentou-se no chão e perguntava onde estava, se trabalhava naquela casa, parecia saber quem era, mas não me reconhecia, referia-se a mim como 'moça' e quando a chamei de mãe, ela espantada me repreendeu dizendo que não tinha filhos. Eu ri, pensei que era brincadeira dela, mas seu olhar perdido me fez entrar em choque. Isso estava mesmo acontecendo?

Ela se recompôs e tratou de voltar a cuidar das plantinhas. Eu não sabia o que fazer, tentava puxar algum assunto. Perguntei se poderia chamar tia Arlete e obtenho a seguinte resposta: -Não moça, não ligue pra sua tia não, espere sua mãe chegar pra ela dizer se tá bom o jardim. Fique tranquila que eu vou terminar daqui a pouco.

Entrei em pânico. Como eu, poderia estar vivendo aquilo?! Corri pro telefone e disquei pro numero da minha irmã, e enquanto isso minha mãe insistia em me chamar de moça e perguntar um monte de coisas. Aí, eu tive a idéia de molhar a cabeça dela com a mangueira. Ela se sentou no chão e eu molhei sua cabeça - ela voltou a si.

Ela não se lembrava de nada que aconteceu nos 20 minutos mais longos da minha vida. Comecei a chorar desesperadamente implorando pra que ela não me esquecesse jamais. Acho que essa imagem jamais sairá da minha cabeça. Apesar de tudo, das diferenças, das brigas, dos aborrecimentos e dos nossos problemas, eu não sei viver num mundo em que a minha mãe não exista. Foi horrível, me dá vontade de chorar toda vez que lembro.

O que me deixou encucada foi que ontem tive uma crise de choro antes de dormir, e senti uma enorme vontade de correr pro colo da minha mãe, ir no seu quarto como antigamente, quando eu era uma menininha cheia de medo e ela me ninava até dormir - não fui. Isso me fez refletir muito, preciso aproveitar mais meu tempo com a minha mãe. Acho que o medo de perder alguém que a gente tanto ama nos faz 'acordar'.

P.S.: Ela está melhor, ainda está com dor de cabeça, mas vai no médico. Tudo vai ficar bem.

" Tenho que beijar a minha mãe, dizer que a amo, chorar no seu colo - sem vergonha de mostrar os meus sentimentos, porque eles sempre existiram, e eu escondi-os... " Paulo Coelho- Verônica decide morrer
1 Comentários

1 comentários:

Anônimo disse...

Oi Lindinha que susto heim?
Masi é bom que ela procure o médico sim essas coisas não são para se brincar nao!!
Mais.. de valor sim agora as pessoas qeu ama.. um dia elas não estaram mais por perto!!

beijosss

Quem sou eu

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2.0 de histórias inacreditáveis. Biomédica em formação. Jornalista e escritora na alma. Cozinheira de meias mãos, mas de boca cheia, rs. Cheias de manias e porquês. Ilimitada, intensa, oito ou oitenta. Coração, manteiga derretida, dúvida cruel. Sonhadora, esperançosa, alguém que olha pro céu e sente paz, alguém que escreve pra desabafar,alguém que dança pra relaxar, alguém que ama para viver. O que mais? mistério e música.